Gerente Virtual
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
O perigo das "melhores práticas"
Muitas empresas vão em busca das consultorias organizacionais e essas oferecem como solução para os seus problemas um punhado de sugestões, as famosas "MELHORES PRÁTICAS". Adeque-se a elas e estará tudo bem com a sua empresa.
Mas que nível de suporte científico tem essas chamadas "melhores praticas"? Quem as define? E o mais importante: existe mesmo uma prática que seja absolutamente superior às outras em qualquer ocasião, em qualquer tipo de empresa, qualquer que seja as minúcias inerentes às suas operações? Pois é essa a noção básica que sustenta a terminologia da "melhor prática". Já parou pra pensar nisso?
Estava lendo um artigo de recursos humanos chamado "Exploring Strategic Pay" de Trevor, J. da Cambridge Business School, quando decidi escrever sobre esse tema. O autor levantou justamente essa questão, mas sobre um caso específico: as melhores práticas de gestão estratégica de remuneração realmente existem? Então resolvi generalizar.
Bem, aí vai a minha resposta de consultor: depende. Depende porque algumas práticas vão sim ser a melhores independente do tipo de organização. Poderia começar por dizer que não é uma boa idéia deixar na mão de uma só pessoa o cadastro, aprovação e liquidação de contas a pagar. Claro que alguém poderia bradar: mas se a empresa é tão pequena que não tem condições de segregar essas funções? Isso não seria uma amostra que não há melhor prática? Bem, não exatamente. A melhor prática existe, mas não há nessa empresa, ainda, a possibilidade de colocá-la em prática, nos restando a opção de gerar uma outra sugestão, entretanto com eficácia inferior a anterior.
O perigo surge quando a solução para todos os seus problemas mora em um banco de dados de melhores práticas. Existem situações em que o remédio eficaz para um é veneno letal para outro. É necessário pensar, estudar a organização, entender as suas particularidades e a sua história. O universo empresarial é tão complexo (pois é constituído de pessoas e essas também o são) que por muitas vezes encontramos várias empresas dentro de uma. Ou seja, a solução que funciona para um setor pode não funcionar pra outro. Utilizando o exemplo do Trevor J. do 3° parágrafo: um departamento pode encarar o sistema de remuneração como estratégico e completamente alinhado com as suas expectativas e outro achar esse mesmo sistema totalmente detrator de valor e nocivo ao trabalhador. É um sistema complexo, não há livro de receitas mágico.
Por isso, queria deixar aqui um alerta para os consultores atuais e futuros: utilizem o pensamento complexo. Não complexo no sentido de ser difícil, mas significando que o raciocício deve percorrer e analisar várias camadas, investigar diversos atributos e ponderar cada um deles. Lembre-se que há muito pouco espaço pra determinismo no mundo da administração. Tenham humildade e reflitam muito antes de dizer que possuem a solução para todos os problemas.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
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